
Recordo-me que vivia mais tempo no nevoeiro escolar, do que no deserto da minha casa. Ao dissipar o nevoeiro escolar uma paisagem pitoresca do colégio nascia turva, entre as flechas de luz que ultrapassava o nevoeiro havia um mundo que nos contemplava com a Feira do São Joaquim e da Baía de Todos os Santos.
Num cenário desenhado a giz exercia atividades de teatro, musicoterapia, espanhol e dança. Nessa pequena encenação do meu cotidiano, apresentei o papel de tesoureiro do grêmio estudantil. Um ano de múltiplas atividades nesse nevoeiro escolar. Assim, o relógio, consumiu devagar as horas, os dias, os meses e fechou o ano escolar. Nesse período havia conseguido a isenção do vestibular da UFBA. E várias interrogações mancharam meu corpo, pois a dúvida de Hamlet, “ser ou não ser”, no meu caso “cursar ou não cursar”, consumiu minha vida. Então, num lapso repentino optei por cursar uma faculdade pública.
Apaguei o futuro que pichei na parede do meu ideal. Escavei tudo que desejava ser de verdade, e enterrei como cachorro, todos meus sonhos. Segui o plano que a ampulheta do destino decidiu escoar para mim. Escoando, cursei geofísica na UFBA, isso porque amava geografia e queria estudar vulcão. Por que eu queria estudar vulcão? É uma resposta que remete a interrogação do ovo e da galinha.
Então, acabei não sendo selecionado para segunda fase do vestibular. Queria atirar-me no mar, contudo, como sou sonhador continuei a sonhar.













