segunda-feira, 29 de junho de 2009

Cartas sem destino...


Querida Elnora,

Quando entrou naquele ônibus no terminal, e o monóxido de carbono cuspido pela descarga do ônibus, ofuscou minha visão, pesou meu pulmão, e deixou como aceno o vazio do espaço. Caminhei com o olhar vago. Olhar de náufrago que caça na linha do horizonte alguma presença de terra. Assim, caminhei a deriva, buscando a presença da terra do seu corpo. A terra que acolhe meus abraços, meus beijos, meus pés e meu corpo. Fiquei saudoso da terra que desliza no seu corpo, e movimenta-se com o vento que sopra do meu lábio. O meu lábio árido, seco, desértico. Despovoado dos beijos de boa noite, boa tarde e bom dia. Naquele momento o beijo foi de até logo. Até o momento de aquele terminal ser o abraço receptivo de estamos juntos novamente.

(Alan Felix)