quinta-feira, 4 de junho de 2009

Cartas sem destino...


Querida Elnora,

”Amo-te tanto! E nunca te beijei...

E, nesse beijo, Amor, que eu te não dei.

Guardo os versos mais lindos que te fiz!”

(Florbela Espanca)


Hoje fiquei na varanda fumando cigarro, sentei na velha cadeira de madeira, li o poema “os versos que te fiz” de Florbela Espanca. Em alguns instantes, flagrei meus pensamentos fluindo da ponta dos dedos. E conseguia ler em braile tudo que o pensamento queria expressar em letras mortas. Traduzi em versos, estrofes e poemas, toda palavra que invernava em mim. Palavras sonolentas que ficava no meu lábio, que aguardava seus beijos poéticos amorosos para despertar. Fazendo do seu lábio campestre, minha moradia. Um lábio vasto, vermelho das tulipas que o cobria. Tão vermelho que seus beijos eram rubros e ardentes como o sol que é acalmado pelo mar em seu pôr. A calma eruptiva que emerge no entrelaçar dos nossos lábios. Os nossos lábios a tempo não murmuram entre si. O tempo não sente a amabilidade um do outro. O abraço comprimido das bocas no choque imaginário do amor. Meu amor, espero pelos versos não escritos, os sonetos inacabados, os haicai minúsculos que está em seu beijo. Encontrar o labirinto infinito que transparece nas mordidas sutis dos meus dentes. O beijo compositor que se inspira nas linhas delicadas do amor que tenho por ti.


(Alan Félix)