domingo, 31 de maio de 2009

Cartas sem destino...




Querida Elnora,

Hoje joguei no lixo as flores de plásticos mofadas que ficavam no vaso sobre a mesa. Lembro do momento que comprou essas flores, dizia que as de plásticos nunca mofaria e estaria sempre enfeitando nosso lar. Recordo, que recusei tal idéia, pois queria senti o aroma que flui das flores naturais, a essência da necessidade de água , o zelo que temos com elas. Entretanto, você preferia o aroma sintético, o cheiro frio e estático das horas congelada pelo ponteiro do tempo-vida que emitia essas flores. Comunico, que infelizmente elas faleceram com o tempo e a corrosão do oxigênio. Tornaram-se canteiro de moscas moribundas. Faleceu sem mostrar a evaporação da vida consumida. A minha querida, a vida é composta dessas fatalidades cotidianas, certamente, essas flores nem ficaram na sua memória. Com certeza, lembrará daquela singela flor que arranquei do seu habitat quando viajamos naquela estrada sem curva. Recordo-me que o sol de dezembro, castigava a coitada sem oferta sombra alguma. O sorriso daquela flor ao ver minha mão abrigando-a, isso deve está na sua lembrança. Eu, carregando-a nas mãos e entregando a você. E aquele suspiro que desprendia sua vida do seu corpo. Aqueles olhos lacrimejando que regava as folhagens da flor. O refrescou da terra que nutria aquele singelo e pequeno ser. Minha querida, Elnora, certamente isso é tão fresco na sua memória, quanto aquelas flores de plástico. Hoje tem tulipas no lugar, deveria está aqui para senti o cheiro delas.

(Alan Félix)