sábado, 19 de dezembro de 2009

Sertão



Viver sem ti é ser tão árido.

(Alan Félix)

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Agridoce


Embriagou-me
com seu toque doce,
desprendendo um aroma
de frutas ácidas
da sua pele frutífera.

Envolveu-me
feito fragrância agridoce.
Entorpecendo sentidos azedos,
aflorando sentimentos doces.

Deixou-me
nesse êxtase acre-doce,
de querer-te sempre doce
no meu lábio
e ácido no coração amargurado.


(Alan Félix)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Assim...


Amo-te como um singelo risco de lápis
na folha usada do seu diário.

Amo-te como um rabisco de batom morango
no espelho temperado do quarto.

Amo-te como um traçado do delineador
no olho esquerdo da sua face.

Amo-te simplesmente!




(Alan Félix)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Beije-me

"Beije-me sob o crepúsculo.
Leve-me pra fora, no chão iluminado pela lua.
Levante sua mão aberta, faça a banda tocar
e faça os vaga-lumes dançarem.
A lua prateada está brilhando, então me beije."

(Sixpence None The Richer Kiss-me)


O outono sempre é triste, mas a noite é linda, no manto negro do céu os vaga-lumes brilham procurando uma parceira para dividir o horizonte. Emitem nos sinais luminosos a palavra “amo-te”, são códigos secretos decifrado apenas pelas fêmeas que tecem suas asas no vôo.

Numa noite de sábado caminhei até o ancoradouro localizado na margem esquerda do rio, desatraquei o pequeno barco a remo do meu avô, remei até o centro do rio, fiquei sentado observando a lua e escrevendo meus pensamentos no caderno.

O ar frio que viaja nas asas do vento, entorpeceu meu corpo. Dormir no balançar do rio, os peixes ficaram observando e murmurando entre si. O tempo naufragou na essência dos meus sonhos, até o instante que ouvi uma voz masculina clamando por socorro. Acordei repentinamente, os peixes assustaram-se e fugiram, por um breve momento meus ouvidos tornaram sonares, rastrearam a voz masculina que clamava ajuda.

Remei até a margem direita do rio.

Avistei o rapaz que estava se afogando na margem do rio, saltei do barco mergulhando no rio, nadei ao encontro do moço. Seu pé encontrava enlaçado por plantas aquáticas, afundei e arranquei as plantas que o arrastava para morte.

O moço estava quase perdendo os sentidos, o resgatei, repousei seu corpo fadigado sobre a grama que cobria as margens, passando alguns minutos de descanso o mesmo recobrou as forças e agradeceu o salvamento.

Acompanhei-o ao chalé onde morava, recolheu-se ao quarto para trocar de roupa, fiquei sentando em frente a lareira aquecendo-me. Retornando do quarto, trouxe consigo algumas roupas secas para mim. No banheiro da casa troquei de roupa. Fiquei esperando a roupa secar.
Conversamos, enquanto a roupa secava. Vários assuntos flutuaram das nossas bocas, a noite foi ficando mais pesada, porém estávamos embebedando-se com as palavras um do outro.

Aquele moço possuía uma voz penetrante, olhos negros como o ébano, dentes alinhado e branco como marfim. Nunca havia reparado alguém do mesmo sexo daquela maneira. Uma estranha sensação fluía dos dedos, e vogava pelo meu corpo acelerando o coração.

Enfim, a roupa secou e retornei para casa, o amanhecer já invadia o vão da sala.

Os pássaros cantavam para o sol.

Caminhei tentando localizar o barco, e retornei para casa e dormir.

Dormir a manhã toda, acordando com o crepúsculo, meus avôs preparavam o jantar. Após a noite queimar no céu e os vaga-lumes arderem nas linhas do ar. Voei ao encontro do rapaz, o encontrei na margem direita do rio, entrou no barco, ficamos naquele espaço conversando.

Transformou-se numa cerimônia nosso encontro, ficávamos cada vez mais íntimos, sabia tudo que passava em sua vida, e ele na minha. A amizade forjou-se nas chamas da água. A lua voyeur, observava numa imensa luneta branca projetada nas águas do rio. E os peixes que se aglomeravam para testemunhar.

Certa noite, o rapaz trouxe flores e uma folha rabiscada. Segurou minha mão, olhou nos meus olhos. O nervosismo escoou dos poros. As linhas de minha mão tornaram-se rio, e cursou todo suor, diplomando na mão quente do rapaz. Ao entregar as flores sua voz sussurrava num timbre amoroso todo amor que expelia das batidas de seu coração.

As últimas palavras que ficaram impregnadas: “beije-me”.

Fiquei sem reação, algum peixe que estava ali devorou minha voz, o silêncio ecoava da minha garganta. A lágrima caiu da minha face, ou talvez o rio tenha ido adentrar meus olhos. O que aconteceu foi que o deixei na margem do rio e voltei para casa.
Amanheceu, o dia evaporou, a noite condensou e outro dia passou. Amanheceu novamente, o dia descansou, a noite foliou e um novo dia acordou.

Acordei com os comentários da minha avó dizendo que um rapaz morreu ontem à noite quando tentava atravessar o rio num barco envelhecido. Nesse momento, saltei da cama e corri até o ancoradouro, peguei meu barco e remei até a casa do rapaz.

A casa repleta de familiares, um velório acontecia, meus olhos aguaram, meu pulmão transbordou num grito mudo.

Caminhei até o caixão, o corpo descansava, toquei na pele que antes queimava o sol e agora está frio como o ar que me entorpeceu na noite que o conheci. Transpareceu em minha mente as palavras “beije-me”. O timbre imaginado da sua voz puxava meus lábios.

Forjou-se nos meus lábios despedaçados a palavra “beije-me”. Beijei-o, e vaga-lumes brilharam no meu estômago. Assim, entendi porque o vaga-lume iluminava-se com o amor.

(Alan Félix)


Leia, outros beijos: Alan, Andrey, Camila, Carla, Charlie, Du, Fernanda,
Luciana, Maria Fernanda, Natália, Nathália,
Raquel, Pâmela, Tiago.

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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Folia


As notas musicais
pulavam
na avenida sem fim...

A cada bloco musical
era um ritmo inusitado...

E as partituras...

Partiram dali...

(Alan Félix)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Caderno


A praia
é meu caderno
de poema.

Os grãos de areia
as palavras
que junto para escrever:

m
    e
        u
           s

             v
          e
        r
     s
  o
s

d
   e
      c
        a
           s
              s í l a b o s.

(Alan Félix)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Não existe pecado na escrita

A luz da escrivaninha iluminava a moldura da face na escuridão, o relâmpago dos olhos ocultava a voracidade dos dedos famintos nas teclas do computador. O aroma de café inibia o ar num cárcere privado, na mão esquerda o incenso de cigarro queimava aglutinando as idéias decompostas que germinava no monitor do computador. 
O escritor Benjamim, que nasceu com a maldição nefasta da criatividade literária obscena, representava no corpo os remendos de várias genealogias deturpadas e profanas dos templos inóspitos do subconsciente.  
Construiu o corpo de carne, fogo, aço e coração naquela cadeira para escrever um novo romance sobre a devassidão da sociedade em que vive, ensaiava alguns parágrafos nas nuvens de chumbo da sua mente. Escrevendo o seguinte trecho: 
[...] o salto agulha, o vestido negro como a cortina da noite, sentou oferecendo aos olhos famintos a perna crua. A visão dos homens que ali estavam criaram pênis, tais pênis-óticos profanaram as pernas nua da mulher. Tais mortais entretanto não sabia que se tratava da luxúria pedindo esmola. [...] 
Convidando, Lya, a mulher com quem está casado há cinco anos para ler o trecho que escreveu do romance.  
A esposa e poetisa com quem selou a sebo de vela o beijo sacro. Encontrava-se na forma de mosaico na cama, lendo “Mulheres” de Bukowski, imaginando que tivera a sorte de casar com um literato. 
O devaneio da mulher, ocasionou-se devido ao cigarro de maconha que queimava no seu dedo incendiário, a fumaça dançava valsa no teto dispersando com o ventilador que soprava um vento mecânico lavado na graxa. Calmamente, fechou a mente, carregou nas mãos magras o livro que estava a ler. Andou como riacho nas várzeas da casa, transportando um perfume de vodka. 
Benjamim sentiu uma navalha rasgando seu ombro, a mulher planava suas mãos atingindo o alvo desejado que era o peito do esposo. Navegou a cabeça, atracando no porto esquerdo do homem, os olhos absorveram as palavras digitadas no monitor, e cada palavra penetrava sua vagina áspera e seca, a cada digestão do que lia as veredas da sua vulva inundava-se como o sertão promulgado pelo beato, e flores brotavam com a seiva de mel que escorria por entre a fenda das pernas. 
A poetisa sussurrou no ouvido do marido que tal escrito havia deixado em brasa, o vulcão despertado das suas pernas. O literato tentou manter a concentração na produção do romance, porém, a esposa agachou-se passando para debaixo da escrivaninha, abriu as pernas do marido, sacou teu longo pênis e colocou na boca, buscando escrever com aquele instrumento palavras líquidas. 
Benjamim, segurava-se nas teias elásticas da concentração, estruturando firmeza mental para resistir à tamanha diversão da mulher. Anestesiada pela haste sólida do marido, a mulher buscava desmanchar com a língua ácida o ápice metálico do literato, escorregava a língua e posteriormente arranhava com os dentes a vértice do pênis até o saco escrotal do homem, sugava seus testículos como redemoinho num mar revolto. 
Lya entorpecida pela liturgia profana da sua boca, empurrou a cadeira do marido tentando sentar sobre o teu estandarte sexual. Tempestivamente, o homem empunhou o livro de Bukowski e agrediu a face voluptuosa da mulher. Os dois olharam-se guerreiramente, a língua da mulher varreu o sangue que escorria dos lábios. Benjamim deliciava-se com a cena promiscua da esposa. 
Numa fúria animalesca, segurou-a pelo cabelo projetando o corpo desta sobre a escrivaninha, com garras de rapina destroçou a vestimenta de seda, teus dedos rompiam com as fronteiras da coluna vertebral, alojando as mãos carniçais nas ancas da mulher, dando tapas vigorosos e pressionando as nádegas cetinosas.  
O uivo de prazer da mulher espelhava no monitor do computador, suas mãos tentavam segurar firmes as pontas da escrivaninha, teus seios dedilhavam as teclas do teclado, a cada enfiada que o literato deferia contra a vagina encharcada, o seu pênis entreabria a porta secreta daquela mulher. 
Em estado eufórico, o homem maquinado, exercia o mesmo movimento contra a mulher que possuía metade do corpo sobre a escrivaninha. Num momento, a perna direita elevou até a altura do apoio, cravando na madeira, um olhar fatal projetado para o homem, conduzia o seguinte recado – Devore-me com amor, teu desgraçado. 
O corpo vulcânico do homem, inclinou-se a ponto de teu olho vê pela luneta vaginal da mulher, a epifania grudou na sua retina mostrando o mundo desconhecido do jardim lascivo que borbulhava naquele ventre. Despertando da viagem, a sua língua evaporou na clareira ardente da mulher, o único resquício material era o clitóris que efervesceu nos lábios engrenado do homem. 
A voz despetalada de Lya, declamava versos dos poemas de Maria Teresa Horta, entre o mínimo intervalo existente do gemido, recitava os seguintes versos: 
São as tuas nádegas/na curva dos meus dedos/as tuas pernas/atentas e curvadas/O cravo - o crivo/sabor da madrugada/no manso odor do mar das tuas/espáduas/E se soergo com as mãos/as tuas coxas/e acerto o corpo no calor/das vagas [...] 
A mulher deitou-se sobre a escrivaninha, derrubando todos os objetos existentes, abriu as pernas que patinava nas fibras frágeis do ar, pousando-as no ombro do homem, e com um pequeno sinal verde do dedo indicador, balançou-o num gesto simbólico de “chamado”. Desta maneira, aquela torre de babel ereta, ruiu dentro da babilônia quente-úmido da poetisa.  
O lábio torrencial do homem, regou as sementes petrificadas dos seios da mulher, isso enquanto, a babilônia desmoronava dentro da vagina solstícia. A inclinação do corpo feminino agarrando-se na nuca do homem, o segurar pingente do buquê de flores, assim o literato carregou aquele ramalhete que gozava suspensa pelo braço confortante. 
Algumas horas depois, o incenso do cigarro no dedo, a caneca de café aromatizando a casa e dois corpos estrelar brilhando na escuridão da sala, feito pequenas estrelas que faleceram a bilhões de anos, mas continua emanando sua luz. 

Alan Félix

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O casaco vermelho

Era domingo quando ela faleceu no andar superior da casa.

O quarto com suíte e varanda para o jardim botânico da cidade tornou-se o sepulcro da nossa vida. Uma voz gritava das paredes, dos móveis e cômodos da casa. A voz ecoava por cada microfibra da cortina, por cada intervalo existente no cimento do piso, a voz dizia – Até que a morte nos separe! – aquela voz ceifadora com sua balsa flutuante visitando meu lar, invadindo meu quarto sem autorização e carregando a alma sem cobrar as duas moedas postas nos olhos pelo serviço de transporte.

Hoje completa dois meses que perdi o amor, hoje completa dois meses que vago pelas ruas da cidade nos escombros da solidão, e a cada passo que ensaiava me recordava do amor que tive, da mulher que amei.
Há quatro meses atrás, estava sentado num restaurante tomando vinho. O vinho era suave como a manhã que se desenhava no céu. O relógio derramava o tempo por segundos, e eu bebendo das horas na espera da mulher de casaco vermelho.

A mulher do casaco vermelho possuía uma mania de cantar enquanto preparava o jantar que degustava toda vez que chegada do trabalho. Havia um ritual executado pela mulher que era cantarolar uma canção ensinada por sua avó. Deus, sabe o quanto irritava ouvir aquela voz desafinada e depois me alimentar com aquele jantar.

Lógico que possuía uma amante em minha vida.

E naquele exato momento criei coragem para contar à mulher que iria me divorciar dela e viver com minha amante. A taça de vinho devorava minha aflição, angustia e sei lá que sentimentos mais boiavam naquela taça.
Ouvi a canção predileta da mulher, seu andar barulhento e o maldito casaco vermelho beijando a velha grade da entrada do restaurante. A única reação foi engolir todo vinho, respirar fundo. Já era tarde, ela sentou na mesa. Olhei fixamente nos olhos oblíquos.

A coragem havia deslizado do meu corpo e corrido até a saída de emergência mais próxima, acenando para mim e dizendo: – Fudeu! Certamente, é o que eu teria feito numa situação semelhante. No entanto, a vida é uma surpresa envolvida numa camada de chocolate com avelã.

A mulher estava diluviano na mesa, e como todo homem, perguntei friamente tocando sua face quente – O que aconteceu, amor?

Ela, respondeu:
- Hoje estive no médico, fui pegar o resultado do exame que fiz há alguns dias atrás, e o médico quando verificou o resultou, comunicou-me que estava com câncer em estado terminal.
O que aquela mulher acabará de dizer, penetrou meu corpo como projétil de munição. Rapidamente liguei para a amante e terminei o caso.

Comecei a cuidar da mulher, voltei a amar-la, a me encantar com a cantoria dela ao preparar o jantar, lia livros e poemas na cabeceira da cama até ela dormir. Todo esse processo amoroso, permitia-me ser um marido melhor, a perceber o quanto amava aquela mulher.

A doença agravou com o tempo, e numa manhã nublada de domingo, enquanto estava lendo ‘o caderno de Noah’, o seguinte trecho:

“Um começo vulgar, algo que seria esquecido se tivesse vindo de outra pessoa qualquer que não ela. Mas quando lhe apertou a mão, e cruzou aqueles espantosos olhos esmeraldas, soube antes de respirar de novo que ela era aquela por quem poderia passar o resto da vida à procura e nunca mais voltar a encontrar. Assim lhe parecera, tão boa, tão perfeita, enquanto uma brisa de Verão soprava entre as árvores.”

A brisa entrou pela brecha da janela, beijou a face da minha esposa, ajeitou seu cabelo e continuo pelo corredor da casa, enquanto estive profundamente mergulhado na leitura, recitando cada palavra que voava sutilmente até o ouvido dela. Pressenti um silêncio cortando o ar, e uma mão gélida e imóvel a segurar o joelho da minha perna.

A morte havia a levado com a brisa.

Um mês passou após a morte da mulher que amei e amo, mais cedo estava na feira comprando pêra, quando ouvir aquela canção e o casaco vermelho, corri em direção da mulher e ao aproximar notei que não era minha esposa. Retornei para casa, sentei no quarto, a cadeira confortante na qual lia, voltei a ler o trecho do livro, “[...] soube antes de respirar de novo que ela era aquela por quem poderia passar o resto da vida à procura e nunca mais voltar a encontrar. Assim lhe parecera, tão boa, tão perfeita, enquanto uma brisa de Verão soprava entre as árvores.

(Alan Félix)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Noites de um verão qualquer


Nasciam girassóis no fundo da casa. Os raios solares refletiam nas pétalas de girassóis tonalizando os olhos castanhos claro da garota que estava na varanda desenhando em seu caderno. Aqueles olhos capturavam os mínimos detalhes que a natureza poderia ofertar.
Numa tarde de janeiro, daqueles dias quentes de verão. A garota de olhos furtivos, passeava no cais do porto, sentou-se num banco deteriorado pela salubridade do mar, pegou o caderno de capa verde, puxou o lápis de ponta fina e começou a traçar vagarosamente a paisagem local.
Alguns saveiros estavam atracados no porto, pescadores retornavam do expediente diário de labutar contra Netuno - Batalha incansável do homem que caça seu alimento.
Os olhos capturavam cada movimento, a poesia lida na pupila de Diana controlava suas mãos que angelicalmente esculpiam com seu lápis as formas etéreas dos homens, objetos e lugares.
Diante de tamanha beleza seus olhos avistaram um homem de corpo lapidado, lábio envenenado e olhos laminado. Aquele olhar dilacerou a concentração, o coração e a sensibilidade corpórea da garota.
O caos ocasionado pelo jovem desnorteou o microcosmo de Diana, as estrelas caíram da sua boca num estrondo do seu coração.
Perplexa com a reação causada pelo rapaz, à garota recolheu todo material, saiu correndo para casa, invadiu seu quarto, lançando a pluma do teu corpo sobre a cama e desesperadamente tentou desenhar o jovem que acabara de ver. Em cada tentativa uma folha falecida era lança nos ares repousando no chão.
Buscando tranqüilidade para poder desenhar novamente, a garota caminhou nos rochedos da praia, a noite enlaçava o dia, o crepúsculo alastrava-se nas veias abertas do céu. E o céu sagrava estrelas nas chagas negras que cobria seu véu.
Diana, memorava cada instante que seus olhos absorveram do jovem, a imagem dele aparecia na sua frente e num momento alucinante ela tentou segura-lo, e terminou caindo dos rochedos no mar.
O teu corpo afundava, pausadamente o cenário do seu sepulcro transmutava no imaginário ensandecido. Assim, seus olhos fecharam ao ver um tritão resgatar o seu corpo. Ao despertar do acidente na beira da praia, abriu lentamente os olhos, notou que o tritão que havia salvado sua vida tinha sido o jovem rapaz que a deixou enlouquecida.
Ela disse:
- Qual seu nome?
Ele respondeu:
- Átila
O jovem pescador, conduziu a garota até sua casa, ofereceu um café quente para aquecê-la, selecionou uma camisa comprida para vesti-la. Após se vestir e beber o café, Diana sentou-se perto da lareira e conversou com Átila.
Durante a conversa ambos notaram afinidades em comum, pela arte da pintura.
Átila apresentou alguns desenhos que fizera naquela tarde, e acidentalmente um desenho caiu. A jovem segurou o desenho olhando fixamente, e percebeu que se tratava dela.
Ela disse:
- Você desenhou-me nesta tarde?
Ele respondeu:
- Sim, até naquele momento meus olhos contemplaram tamanha beleza, tracei o que de mais belo as linhas da sua face poderia me dizer, encantei-me com o teu cabelo preto flutuando como lascas de ébano no ar, teu sorriso desanuviado como as manhãs de janeiro.
E um sorriso brotou na face daquela garota, e o mesmo fenômeno na face do rapaz. Num intervalo entre uma música e outra, dois girassóis notívagos selaram um beijo. E outro, e outro e outro...

 (Alan Félix)

"A paixão pode ser avassaladora.
Muitos amores começam logo os gatos saem a noite,
e acabam-se com o canto do cotovia.”

Desafio coletivo: Um amor de verão.
Leia também as histórias de: 

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quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Fragmentos Íntimos

I
embriaga-se no espumante
fresco da minha boca.

roça teus lábios doce,
na clareira da minha boca.

descansa teu corpo amolecido
na cama do meu prazer.

encrava tua rosa úmida,
na haste do meu corpo.

orvalha tuas pétalas,
com o chuvisco do meu gozo.

II
trêmula as sementes
dos teus seios

na viagem lenta
dos meus dedos,

sobre os mirantes do teus peitos.

os lábios vogam o pescoço,
vibrando o teu corpo,

arraste-se por tua nuca,
deslizando por tua coluna.

(Alan Félix)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Absorva-me

D
e
s
m
a
n
c
h
e
i
numa
solução
aquosa
meu
corpo.

Você
bebeu
cada
g
o
l
e
de
mim.

Absorveu-me.

(Alan Félix)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Olhos de Ressaca




Desmorona os pilares do dia,
nas pálpebras dos olhos.

É nublado
os olhos de ressaca,

e forte as ondas
que chocam nos recifes da pupila,

dilatando as espumas
que borbulham na retina,

as algas mortas enlaçam-se no cílios,
petrificando com salina a vista languescida.

(Alan Félix)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cartas sem destino


Querido,

As cartas que enviaste chegaram como borboleta em meu jardim.
Às vezes, em alguns dias, tais palavras pintadas nas telas brancas de papel, contagiavam minha vida, chegavam como uma aurora rasgando o céu do meu sorriso, tonalizando numa claridade rósea a minha face.
Cada palavra bailava ao som do vento soprando os fios longos do cabelo, alguns momentos o que escrevia chegava como um tornado, despenteando o íntimo do coração.
Por vezes, meus olhos choviam torrencialmente, alagava os vãos seco do rosto, orvalhava as folhas desidratada dos papeis onde escrevia seu verbo amoroso.
O teu verbo entoava firmemente nas raízes do meu ouvido, ecoava nas grutas solitárias do meu interior, acordava meus sentimentos quimera, revoavam as borboletas do estômago.
Sei que deixei a porta aberta ao sair, e migrei para zonas campestres de minha vida, imagino o teu abraço primaveril aguardando-me na porta de entrada da casa.
Todavia, continuo galho nu e retorcido do outono.
Ainda serei o pássaro que migra do jardim florido da tua vida, é inverno na sua casa.

Carinhosamente,
Elnora.

(Alan Félix)

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Erupção Cósmica

I
Quando dedilho
o abstrato íntimo
do meu corpo,

acontecem erupções cósmicas em mim,

o ventre torna-se universo,
nascedouro de galáxias, astros e mundos.

II
O dedo lambe
o epicentro
do meu corpo,

eclodindo o cosmo negro no meu gozo,
é como a lua,
fase cheia do meu corpo.

III
É apenas resquício o prazer que sinto.

Escoa úmido
o prazer no buraco negro
do meu universo,

Não há estrelas nesse céu que adormece,
é a saudade do dedo em meu clitóris.

(Alan Félix)

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Espelho



ESTRELAS
S   Hoje    A
T acordei  L
para     E
E refletir   R
L               T
A               S
SALERTSE

(Alan Félix)

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Escultura

Em seu coração de pedra,
vou esculpir meu amor.

(Alan Félix)

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Barquinho

Deixe queimar as velas do coração.
Hoje o amor que ficar a deriva.

(Alan Félix)

domingo, 22 de novembro de 2009

Quilombo

Há um zumbido na mente
que zumbi
os palmares do meu coração.

(Alan Félix)

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Canto

Hoje canto como pássaro,  
pois amanhã não terei asa  
para ecoar nos galhos das árvores  
todo encanto que é a liberdade do sonhar.

(Alan Félix)

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Ar-anha

teço
as
palavras
em
teias
cintilantes
de
papel.

(Alan Félix)