terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Cartas sem destino


Querido,

As cartas que enviaste chegaram como borboleta em meu jardim.
Às vezes, em alguns dias, tais palavras pintadas nas telas brancas de papel, contagiavam minha vida, chegavam como uma aurora rasgando o céu do meu sorriso, tonalizando numa claridade rósea a minha face.
Cada palavra bailava ao som do vento soprando os fios longos do cabelo, alguns momentos o que escrevia chegava como um tornado, despenteando o íntimo do coração.
Por vezes, meus olhos choviam torrencialmente, alagava os vãos seco do rosto, orvalhava as folhas desidratada dos papeis onde escrevia seu verbo amoroso.
O teu verbo entoava firmemente nas raízes do meu ouvido, ecoava nas grutas solitárias do meu interior, acordava meus sentimentos quimera, revoavam as borboletas do estômago.
Sei que deixei a porta aberta ao sair, e migrei para zonas campestres de minha vida, imagino o teu abraço primaveril aguardando-me na porta de entrada da casa.
Todavia, continuo galho nu e retorcido do outono.
Ainda serei o pássaro que migra do jardim florido da tua vida, é inverno na sua casa.

Carinhosamente,
Elnora.

(Alan Félix)