quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Noites de um verão qualquer


Nasciam girassóis no fundo da casa. Os raios solares refletiam nas pétalas de girassóis tonalizando os olhos castanhos claro da garota que estava na varanda desenhando em seu caderno. Aqueles olhos capturavam os mínimos detalhes que a natureza poderia ofertar.
Numa tarde de janeiro, daqueles dias quentes de verão. A garota de olhos furtivos, passeava no cais do porto, sentou-se num banco deteriorado pela salubridade do mar, pegou o caderno de capa verde, puxou o lápis de ponta fina e começou a traçar vagarosamente a paisagem local.
Alguns saveiros estavam atracados no porto, pescadores retornavam do expediente diário de labutar contra Netuno - Batalha incansável do homem que caça seu alimento.
Os olhos capturavam cada movimento, a poesia lida na pupila de Diana controlava suas mãos que angelicalmente esculpiam com seu lápis as formas etéreas dos homens, objetos e lugares.
Diante de tamanha beleza seus olhos avistaram um homem de corpo lapidado, lábio envenenado e olhos laminado. Aquele olhar dilacerou a concentração, o coração e a sensibilidade corpórea da garota.
O caos ocasionado pelo jovem desnorteou o microcosmo de Diana, as estrelas caíram da sua boca num estrondo do seu coração.
Perplexa com a reação causada pelo rapaz, à garota recolheu todo material, saiu correndo para casa, invadiu seu quarto, lançando a pluma do teu corpo sobre a cama e desesperadamente tentou desenhar o jovem que acabara de ver. Em cada tentativa uma folha falecida era lança nos ares repousando no chão.
Buscando tranqüilidade para poder desenhar novamente, a garota caminhou nos rochedos da praia, a noite enlaçava o dia, o crepúsculo alastrava-se nas veias abertas do céu. E o céu sagrava estrelas nas chagas negras que cobria seu véu.
Diana, memorava cada instante que seus olhos absorveram do jovem, a imagem dele aparecia na sua frente e num momento alucinante ela tentou segura-lo, e terminou caindo dos rochedos no mar.
O teu corpo afundava, pausadamente o cenário do seu sepulcro transmutava no imaginário ensandecido. Assim, seus olhos fecharam ao ver um tritão resgatar o seu corpo. Ao despertar do acidente na beira da praia, abriu lentamente os olhos, notou que o tritão que havia salvado sua vida tinha sido o jovem rapaz que a deixou enlouquecida.
Ela disse:
- Qual seu nome?
Ele respondeu:
- Átila
O jovem pescador, conduziu a garota até sua casa, ofereceu um café quente para aquecê-la, selecionou uma camisa comprida para vesti-la. Após se vestir e beber o café, Diana sentou-se perto da lareira e conversou com Átila.
Durante a conversa ambos notaram afinidades em comum, pela arte da pintura.
Átila apresentou alguns desenhos que fizera naquela tarde, e acidentalmente um desenho caiu. A jovem segurou o desenho olhando fixamente, e percebeu que se tratava dela.
Ela disse:
- Você desenhou-me nesta tarde?
Ele respondeu:
- Sim, até naquele momento meus olhos contemplaram tamanha beleza, tracei o que de mais belo as linhas da sua face poderia me dizer, encantei-me com o teu cabelo preto flutuando como lascas de ébano no ar, teu sorriso desanuviado como as manhãs de janeiro.
E um sorriso brotou na face daquela garota, e o mesmo fenômeno na face do rapaz. Num intervalo entre uma música e outra, dois girassóis notívagos selaram um beijo. E outro, e outro e outro...

 (Alan Félix)

"A paixão pode ser avassaladora.
Muitos amores começam logo os gatos saem a noite,
e acabam-se com o canto do cotovia.”

Desafio coletivo: Um amor de verão.
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