Gosto das canções que expressam uma sutileza real que corta fundo a carne do sentimento e expõe numa chaga as dores e os suspiros que enterramos nas entranhas e lá esquecemos. Gosto do timbrado da voz quase sussurrando a alma no vibrato que ecoam de labirintos desconhecidos que habitam o coração.
sexta-feira, 19 de abril de 2013
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Sobre a delicadeza do amor
“Deixa
o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque
os corpos se entendem, mas as almas não.”
Manuel
Bandeira
embriago-me
não de álcool,
mas
do cheiro do seu corpo.
ébrio
adormeço
em você.
Alan
Felix
sábado, 26 de janeiro de 2013
Sobre a Sexta em Salvador
Choveu saudade nas avenidas de Salvador, eu só quis dançar para não esquecer meu amor. Mesmo sem trio, sem percussão, meus pés molhados sambavam recordações dos carnavais, das lavagens, dos beijos em frente ao farol. Eu vou ficar no mesmo lugar, esperar a chuva passar, aguardar o sol aparecer por entre nuvens que insiste em contrariar, e quando o azul espelhar no mar, irei descansar a saudade nas pontas dos dedos nas águas do porto na barra.
Alan Felix.
domingo, 23 de dezembro de 2012
Desejos Fogem das Mãos
a
mão percorria solta
no
campo de lírios do corpo
coroada
deusa
no
panteão obsceno.
entre
suspiro,
alumbramento,
desvendava
os mistérios do sexo
no
toque-gozo.
os
dedos escreviam
desejos,
arrepios,
gemidos,
calafrios.
poetou-se
em
versos,
estrofes,
sonetos.
excitou-se
recitou-se
r-e(x)citou-se.
Alan
Felix
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Sobre a quarta em Água Preta
E a
lua cheia clareando a noite. A brisa desconhecida soprando levemente às folhas
seca no chão do quintal. Meu coração estava inquieto pela saudade. Mesmo o
esforço vão de centrar os pensamentos na televisão sintonizada no jogo de
futebol. Distraído pensei nela. Angustiado com essas sensações emanadas do meu
coração, busquei no livro, na praça, no boteco, algum sinal de esquecimento ou
paz passageira. Apesar dos esforços, o que acalentou foi sentar no quintal,
acender um cigarro e apreciar a lua na quarta-feira uruçuquense.
Alan
Felix.
domingo, 28 de outubro de 2012
Carta Sem Destino...
Querida Elnora,
Que não seja dor! EU TE AMO e isso basta, o que sinto exala o mais
exitante perfume, Para com isso! Você não me perdeu, apenas desistiu de
nós... você ainda me tem e me terás enquanto em mim houver essa coisa
gostosa que me faz musicar a vida, escrever versos loucos... que me
motiva, e nunca me deprime, nem me desespera. Mais uma vez você não me
perdeu, você apenas fez a escolha que te
foi conferida a ser a mais coesa com teu momento de vida! Você me tem e
me terás sempre... sou seu homem, entenda isso! E relaxe, relaxe, porque
o que é nosso, Tempo cuidará de nos dar, seja juntos ou separados. Sei
que deves imaginar as possibilidade de que possa ser feliz com outra
mulher... talvez teu desejo mais indesejado seja esse, de que eu siga
em frente e vá viver outros prazeres, mas no coração a gente não manda!
Então quero te de dizer que tenho que te compreender que essa foi sua
escolha... mas, não a escolha da vida. Farei por você tudo que eu
puder, para que tenhas uma carreira ainda mais brilhante, é meu dever,
minha responsabilidade, cuidar da minha mulher, da mulher que eu amo,
respeito e admiro muito!!! Do amor que com certeza virará um bela
história para contar aos meus cativos; esse foi o ponto dado por você...
não sei se parágrafo, seguimento ou final; não me interessa.
Continuarei por aqui, respeitando suas decisões.
Ass.: Noah.
Alan Felix.
sábado, 6 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Navegar
a deriva no teu mar.
Quero ser marinheiro
navegar nos mares,
nas curvas, no seu corpo.
De longe no horizonte
dos teus seios
a madrugada perdida
segue trilhando o vento.
Observo o sol
sangrando no mar
adormecendo
na contenda do anoitecer.
Navego no mar do teu corpo,
na precisão de viver
no silêncio das águas,
no naufrágio da tormenta
nos seus lábios.
Tanto porto – para partida,
Tanto marco – para descaso,
Tanto coração – sepultado.
Alan Felix.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Sonata
Eu escavo o silêncio
no seu corpo,
e penetro os sons
que equalizam
no seu corpo
em forma incestuosa.
Eram frequências
os ritmos
de nossos corpos,
ondulações delirantes
de você sobre mim,
e de mim sobre essa música.
Ah! Amor,
que melodia é dia
em você.
Qual sonata soa em nós?
Em qual cravo do seu corpo
teclo prazer?
Meu amor,
nas tonalidades distintas
do seu sexo,
adormece os tons
de ópera do seu gozo.
Alan Felix.
sábado, 15 de setembro de 2012
sábado, 8 de setembro de 2012
Sobre o sábado em Água Preta
E
a chuva desabrocha do céu lavando nossos sapatos. Apesar do vento gélido que
corta as folhas na copa da árvore no inverno. Nós estamos prontos para o dia
nublado que se abateu no sábado uruçuquense. O guarda-chuva apesar de pequeno
nos protegia. Mas para caber naquele abrigo era preciso estar abraçado, e nós
abraçamos, como o sol quente que rompe a cortina densa das nuvens.
Alan
Felix.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Não quero mais ser só
O
prato predileto sobre a mesa e ninguém para dividir o sabor, o aroma, a
conversa. Todos os dias são monólogos monótomos com a solidão. Acendo o cigarro
cortinando com fumaça a companhia de ser só. A mesa de jantar com lugar para
quatro pessoas: uma ocupada por mim, outra serve de cabide para toalha molhada,
a segunda serve de descanso para os pés, e a última coloco o liquidificador. A
televisão ligada, sintonizando algum canal para artifício do preenchimento do
silêncio. O tédio de viver sozinho é ter que conviver com um silêncio
horizontal que corta o basculante. Em transe vasculho as espirais da casa,
deparo com janelas e escapatórias para outra vida. Debruço sobre a varanda
espaireço na rotina do ar. Absorvo-me em ilusões, enceno diálogos, teatro
sorrisos de paraíso, me colho nos sonhos de seus braços.
Alan
Felix.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Quirimurê*
Por entre minha carne
afunda
um desejo febril
de
querê-lo ancorado
nas
enseadas do meu corpo.
Em
fogo carnívoro
lhe
espero nos meus portos
com
suas naus ardente
dissipada
em sopro de beijo.
Atraca
na alameda
subterrânea
do prazer,
desbrava
furtivamente os ecos
na
caverna do meu sexo.
Empilha
os sussurros
de
encanto e acastela-se
nas
fortificações da minha alma.
Espuma
na baia dos meus lábios,
e
desfalece nos arrecifes
do
meu corpo marujo.
*Grande mar interior, em tupinambá.
Alan Felix.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
A Ladeira
Delirante
viajava pela ladeira sonâmbula, de repente nossos olhares se embaralharam. As
retinas dos olhos trincaram em você. Cega, tateei desesperadamente o ombro do
vento para guiar-me até você, mesmo quando você rodopiava num furação de
carrossel. Perdida, meus olhos liam seus sinais, suas trilhas, seus labirintos
de sossego. Com os pés decalquei seus passos, com as mãos colorir seus gestos,
e com o desejo aprisionei você na jaula do olhar, e refém lhe resgate de mim.
Alan Felix.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Insurreição
![]() |
| Adams Carvalho |
p/ Mayra Honorato
Insurge nas esquinas
do teu corpo
uma revolução de mim.
Percorro a língua
nas tuas ruas.
Perco-me na avenida
das tuas costas.
Enveredo nas vielas,
becos e guetos das tuas pernas.
Devaneio o urbanismo
do teu corpo.
Deslizo sobre o arranha-céu
dos teus seios,
esqueço-me nas estrelas
em céus de boca.
Nu edifico-me
coberto em véu abrasado,
tuas praças adornam
os subúrbios dos meus olhos.
Alan Felix.
domingo, 12 de agosto de 2012
Redondilha
“A mulher e o ventre que fecundas.”
(Cora Coralina)
I
caminho vagarosamente
arrastando a noite para seu útero.
Encho com a aurora
a cavidade do seu corpo,
lacerando com amanhecer o vinho gozo.
Com passos de pedra adentro com a flor
o jardim da vulva,
floresço girassóis, sóis e mundos.
Listro de mar e cólera as raízes da buceta,
finco solene a manhã,
canto folhas de vento-fogo no sopro do gozo.
II
Corre-me
o vento atado da língua
Ecoa vozes de pássaros
que povoa nostalgicamente
os pinheiros dos óvulos.
Percorro em sombras e raios
as margens entreaberta da perna
e precipito tempestades infinitas.
Corto a névoa incitante
que crescia no meio dia da mão,
abarco cachoeiras
e mares que voam do orgasmo.
Alan Felix
sábado, 4 de agosto de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
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