quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Brazileiro

Vem comer minha língua para virar brasileiro.

Eu, filho do estupro lusitano;
Alimentado em seio africano;
Deitado em berço “gentil”.

Feto das grandes navegações,
aborto dos navios negreiros,
bastardo de famílias indígena.

Devoro minha alma folclórica,
para expelir minha origem devassada.
Pois, cada parte de mim,
anda assombrando a memória corroída
pelo tempo mudo das horas.

(Alan Félix)