segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cartas sem destino...


Querida Elnora,

Hoje você diz que não sei viver com a solidão, mas esqueceste que me forjei nela moldando em fogo todas as paredes dos labirintos que ergui em torno do meu coração, corpo e mente, isolando-me de qualquer gesto de carinho, palavra e atenção ofertado por algum indivíduo que demonstrasse compaixão. Contudo, quando você apareceu, manhã de dezembro, o seu sorriso enigmático demoliu todos os alicerces entranhado nas asperezas mais grosseira do meu coração, transformando em areia varrida pelo vento todas as paredes que protegia e assegurava minha solidão. Inevitavelmente aconteceu querida, você me ensinou a solidão a dois. A solidão da pipoca salgada em pleno domingo à tarde, a solidão da divisão do sorvete de flocos no pôr-do-sol na praia, a solidão de ler os trechos dos nossos livros prediletos deitado na rede na noite fresca de terça-feira... Essa solidão que você me ensinou a amar, a gostar e a viver, causava um medo imenso, por isso, ergui os labirintos para estranhos se perderem ao aproximasse. Este labirinto erguido me fez perder em você na loucura de encontrar uma saída que não desejava, quando notei minha exausta tentativa de fuga, estava em você tracejado como tatuagem.

(Alan Félix)