quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cartas sem destino.



Querida Elnora,

Ao longe através da janela vejo o céu brincando com os espectros das cores, abaixo observo casa, luzes e a escuridão.
A primeira estrela germina no anoitecer.
A nossa antiga casa nos contempla nessa noite, você voltou a perfumar os cômodos trazendo vida para as velhas fotografias.
Por uma noite a rotina pretérita fez-se cotidiana, a conversa, o abraço, o beijo, você em mim, eu em você na cama desértica.
Acredite por essa noite você tornou-se o melhor abrigo que poderia existir em três meses de exclusão da sensação de bem-estar que alguém poderia causar. Lógico, isso seria imprescindível, pois conhece cada centímetro do corpo que bebeu.
Embriaguei-me no vinho seco que é você.
O melhor é que amanheci sem ressaca, o coração tagarela zumbia forte ao abraçar-te na despedida, tenho nos meus olhos seu corpo fotografado.

(Alan Félix)