sábado, 2 de janeiro de 2010

O Amargo


O sabor que emana de mim
tem o gosto amargo
daquela cachaça destilada
vendida no bar da esquina.

Meu primeiro gole é repugnante.
Porém, o segundo gole é macio
como a raiva que desce queimando.

O meu amargor te satisfaz,
Deixando-a embriagada e entorpecida
de todos os mares algozes.

Nessa tarde feroz,
o meu sabor é o que corroí,
toda dor voraz, que te mantém atroz.

O amargo que te seduz,
reluz em mim como karma,
pertinaz até meu fim.

(Alan Félix)