sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Confissões de Millena



Inocência é uma palavra que há muito tempo não faz parte de mim.

A verdade é que muita coisa não faz mais parte de mim, muitas palavras que me definiam escoaram do corpo, me abandonaram, evadiram-se, já não sou a mesma há muitos anos, até a sombra que me acompanha mudou, me deixou, desaparece nos momentos de sol fresco.

A recordação da palavra inocência é vaga em mim.

O seu significado nunca me pertenceu plenamente.

Se um dia tive falta de culpa, se um dia houve candura, pureza, simplicidade e ingenuidade aconteceram no útero da mulher que me concedeu a vida. Mas, para a moralidade em que vivemos, perdi a inocência no entoar de um pênis invadindo o meu ventre sempre aberto e úmido, local acolhedor de prazeres desconhecido.

A pureza evaporou-se nas camas de motéis em que estranhos adormecia no meu corpo ejaculado, suado e cansado.

Imagine que durmo comigo todas as noites, e aterrorizo-me com meus atos levianos. Besteira, digo-me, a cada virada na cama. Acostumei com a mulher promiscua que vive comigo.

Promiscua.

Traiçoeira.

Vulgar.

Três adjetivos, que para algumas mulheres é pejorativo, mas é um elogio aos meus ouvidos profanos. Sou essas mulheres vadia, ou muitas vadias numa mulher.

Abraços primaveris,

Millena