terça-feira, 1 de setembro de 2009

Cartas sem destino...


Querida Elnora,


As fumaças dos nossos passos dissolvem no ar frio das tardes de domingo. O sol brotava das sementes secas de girassol que você jogava para aquecer nossos pés descalços que flutuava nas margens límpidas daquele cais. Repousamos naquela tarde nas madeiras desbotadas pelo tempo, observando as ondas falecidas nos rochedos, assim, exalando a salubridade entranhada nas fendas revestidas de corais arco-íris. Quando nos beijamos ficávamos embriagados pelo sal, a brisa marítima e o suor desgarrado dos poros úmidecidos da saliva ardente. Agora, deitado nesta cama, segurando na porta-retrato, eu lacrimejo as saudades nessa fotografia sépia, que adormece todas as noites na instante e na cômoda do quarto. Continuo estendido sobre o colchão de casal, coberto por uma manta cor crepúsculo, acariciando minha solidão.


(Alan Félix)