sábado, 6 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
Navegar
a deriva no teu mar.
Quero ser marinheiro
navegar nos mares,
nas curvas, no seu corpo.
De longe no horizonte
dos teus seios
a madrugada perdida
segue trilhando o vento.
Observo o sol
sangrando no mar
adormecendo
na contenda do anoitecer.
Navego no mar do teu corpo,
na precisão de viver
no silêncio das águas,
no naufrágio da tormenta
nos seus lábios.
Tanto porto – para partida,
Tanto marco – para descaso,
Tanto coração – sepultado.
Alan Felix.
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Sonata
Eu escavo o silêncio
no seu corpo,
e penetro os sons
que equalizam
no seu corpo
em forma incestuosa.
Eram frequências
os ritmos
de nossos corpos,
ondulações delirantes
de você sobre mim,
e de mim sobre essa música.
Ah! Amor,
que melodia é dia
em você.
Qual sonata soa em nós?
Em qual cravo do seu corpo
teclo prazer?
Meu amor,
nas tonalidades distintas
do seu sexo,
adormece os tons
de ópera do seu gozo.
Alan Felix.
sábado, 15 de setembro de 2012
sábado, 8 de setembro de 2012
Sobre o sábado em Água Preta
E
a chuva desabrocha do céu lavando nossos sapatos. Apesar do vento gélido que
corta as folhas na copa da árvore no inverno. Nós estamos prontos para o dia
nublado que se abateu no sábado uruçuquense. O guarda-chuva apesar de pequeno
nos protegia. Mas para caber naquele abrigo era preciso estar abraçado, e nós
abraçamos, como o sol quente que rompe a cortina densa das nuvens.
Alan
Felix.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Não quero mais ser só
O
prato predileto sobre a mesa e ninguém para dividir o sabor, o aroma, a
conversa. Todos os dias são monólogos monótomos com a solidão. Acendo o cigarro
cortinando com fumaça a companhia de ser só. A mesa de jantar com lugar para
quatro pessoas: uma ocupada por mim, outra serve de cabide para toalha molhada,
a segunda serve de descanso para os pés, e a última coloco o liquidificador. A
televisão ligada, sintonizando algum canal para artifício do preenchimento do
silêncio. O tédio de viver sozinho é ter que conviver com um silêncio
horizontal que corta o basculante. Em transe vasculho as espirais da casa,
deparo com janelas e escapatórias para outra vida. Debruço sobre a varanda
espaireço na rotina do ar. Absorvo-me em ilusões, enceno diálogos, teatro
sorrisos de paraíso, me colho nos sonhos de seus braços.
Alan
Felix.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
Quirimurê*
Por entre minha carne
afunda
um desejo febril
de
querê-lo ancorado
nas
enseadas do meu corpo.
Em
fogo carnívoro
lhe
espero nos meus portos
com
suas naus ardente
dissipada
em sopro de beijo.
Atraca
na alameda
subterrânea
do prazer,
desbrava
furtivamente os ecos
na
caverna do meu sexo.
Empilha
os sussurros
de
encanto e acastela-se
nas
fortificações da minha alma.
Espuma
na baia dos meus lábios,
e
desfalece nos arrecifes
do
meu corpo marujo.
*Grande mar interior, em tupinambá.
Alan Felix.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
A Ladeira
Delirante
viajava pela ladeira sonâmbula, de repente nossos olhares se embaralharam. As
retinas dos olhos trincaram em você. Cega, tateei desesperadamente o ombro do
vento para guiar-me até você, mesmo quando você rodopiava num furação de
carrossel. Perdida, meus olhos liam seus sinais, suas trilhas, seus labirintos
de sossego. Com os pés decalquei seus passos, com as mãos colorir seus gestos,
e com o desejo aprisionei você na jaula do olhar, e refém lhe resgate de mim.
Alan Felix.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Insurreição
![]() |
| Adams Carvalho |
p/ Mayra Honorato
Insurge nas esquinas
do teu corpo
uma revolução de mim.
Percorro a língua
nas tuas ruas.
Perco-me na avenida
das tuas costas.
Enveredo nas vielas,
becos e guetos das tuas pernas.
Devaneio o urbanismo
do teu corpo.
Deslizo sobre o arranha-céu
dos teus seios,
esqueço-me nas estrelas
em céus de boca.
Nu edifico-me
coberto em véu abrasado,
tuas praças adornam
os subúrbios dos meus olhos.
Alan Felix.
domingo, 12 de agosto de 2012
Redondilha
“A mulher e o ventre que fecundas.”
(Cora Coralina)
I
caminho vagarosamente
arrastando a noite para seu útero.
Encho com a aurora
a cavidade do seu corpo,
lacerando com amanhecer o vinho gozo.
Com passos de pedra adentro com a flor
o jardim da vulva,
floresço girassóis, sóis e mundos.
Listro de mar e cólera as raízes da buceta,
finco solene a manhã,
canto folhas de vento-fogo no sopro do gozo.
II
Corre-me
o vento atado da língua
Ecoa vozes de pássaros
que povoa nostalgicamente
os pinheiros dos óvulos.
Percorro em sombras e raios
as margens entreaberta da perna
e precipito tempestades infinitas.
Corto a névoa incitante
que crescia no meio dia da mão,
abarco cachoeiras
e mares que voam do orgasmo.
Alan Felix
sábado, 4 de agosto de 2012
domingo, 29 de julho de 2012
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Nix
Meia noite,
meu corpo talha a noite
nua no céu de Nix.
As trevas abismais dos homens
adentram o meu tártaro-útero.
No melancólico ventre da noite
nuvens envolvem
a escuridão da vagina.
Atlas, ereto, com seus ombros incansáveis
sustentam firmemente meu céu.
O dia e a noite se cruzam
numa penetração de bronze.
Alan Félix
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Nó
O
nó que nos prende Maria, é o mesmo que nos enforca.
A
vida é o embaraço de cordas: cordas que pulamos, cordas que nos enrolados,
cordas que amarramos, cordas que fazemos varal e estendemos coisas molhadas
para secar.
Você
seca seus olhos no varal, Maria?
Não?
Deveria. O sol seca tudo, torra tudo, queima tudo.
Alan
Félix
sábado, 7 de julho de 2012
AcriDoce
Ela
me absorve a cada dia, eu me diluo dentro dela. Lá permaneço, ocupo e milito todos
os dias por um pedaço de terra no seu coração. Não que ela seja uma
latifundiária, e queria os hectares de terra improdutivos, na verdade ela
deseja que seja plantado algo acridoce e que floresça maravilhas santas nessas
terras tão férteis.
Alan
Félix
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Longe
ecoa o teu beijo na boca,
os teus braços envolvem
e amedronta o frio de junho.
louco, percorro o teu corpo
e perdido nos lençóis, esqueço
a noite que acosta o dia.
comunicável nossos corpos
precipita outro dia, e inicia
uma nova manhã que tarda.
tímido, devoro os girassóis
que adorna os teus lábios, é
amarelo a cor do beijo que roubo.
Alan Félix
domingo, 3 de junho de 2012
Papoula
quantas
babilônias silenciosas embriagam seu corpo.
eu já andei
indiferente com o Diabo,
e bebi suas promessas
nas copas entre suas pernas.
com vinho queimei
os lábios vermelhos
da sua boca, e brindei
os demônios invisíveis.
no sacrilégio do seu olhar
asas negras incestuosas
benze a loucura do nosso sexo.
mesmo em silencio inquietante, Deus,
sorri sadicamente do nosso amor.
Alan Felix
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Desvendar
Não queiras
desvendar Clarice. Porque tentar entender Clarice é descobrir os mistérios que
circula as mulheres. Ainda mais que Clarice é duplamente complexa, pois é poeta
e mulher. Anseio pela sutileza e brandura das palavras. Não venham com essas
mulheres: Adélia, Cora, Cecília e Hilda. Repudio o fascínio do baú espantoso
das palavras. Traga-me a normalidade da poesia. Cobiço a rudez dos repentistas
trajados de seus cordéis fabulosos narrando épicos mitos folclóricos
encantados. A insensatez dos boêmios com suas trovas sócio-romântico-realista-fatalista.
Miro os berros alucinados dos loucos, e suas transparentes verdades escarradas
ao mundo na esquizofrenia do verbo. Quanta labirintite causa a palavra de
Drummond, Moraes, Pessoas e Leminsk.
Alan Félix
domingo, 27 de maio de 2012
Canção
“Os
poemas respiram nas prisões”
(Pedro
Luis e a Parede – Máquina de Escrever)
![]() |
| Marcelo Jeneci e Laura Lavieri |
A
canção ecoada da rádio, e a lembrança da paixão.
É
difícil ouvir, escutar... É, escutar o coração falar de amor, de amores
perdidos, passados e esquecidos.
O
silêncio emanado da pulsação faz calar a solidão.
O
silêncio!
Os
batimentos das teclas escrevendo a palavra coração, e o coração a bater nos
poemas e canções que imprimo no papel machê da solidão.
De
tal modo, escrevo na máquina de escrever o meu coração, a palavra emoção –
algumas letras e sons das pulsações do [meu] coração.
É
difícil ler um verso no olhar, ouvir seu coração falar dos poemas que respiram
nas prisões das ilusões da nossa história.
Alan
Felix
sábado, 26 de maio de 2012
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