sábado, 30 de julho de 2011

Vida sustentável


A noite cai sorrateira escondendo as pegadas do sol. Adentro a casa vazia: quarto, sala, banheiro e solidão. O metro quadrado da casa não cabe a bagagem do meu dia. É difícil descansar quando não existe janela para ver a cidade sufocada na fumaça.
No microondas esquento a esperança a cada manhã, a marmita que se arrasta pelo dia e qualquer outra desilusão que possa beber juntamente com o café amargo do bom dia. Tranco a porta de tudo que sou, e vou fechado ao trabalho, a vida, a agonia, a rotina e termino na cortina do banheiro tomando uma ducha.

Alan Félix