sábado, 26 de maio de 2012

A Quinta Rosa do Vento

Navego no rio de ódio
Afundo no lago profundo da solidão
Fico a deriva nas minhas emoções

Já atravessei o deserto da vida
Abandonado entre montanhas sombrias
Caminharei no bosque da vida
Em busca de uma saída

Sou o único perdido da trilha
A estrada não me guia

A escuridão se intensifica
Cobrindo minha vista
Impossibilitando de ver
A luz que me salvaria

Alan Félix

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Das Águas




I


no breu,
teu corpo
um poço,
um penhasco
que salto
e fundo
mar frio.

II

apreendo
suas águas
no meu corpo,
faço-me
maré.

III

diluído
despenco
dos olhos.
lavo-te
o corpo,
perco-me
na lágrima.

Alan Félix

domingo, 20 de maio de 2012

AGUÇO


Lembro-me quando a noite pairava num véu sobre o teto da casa. A solidão vagava nos ruídos noturnos, e a sala com a televisão sintonizada em algum canal de silêncio angustiante. O medo era roído nas pontas dos dedos. Você chegou calada, quase translúcida, mas voraz e tenaz com suas passadas. 
Despojou sobre o meu colo, rasgando o suspiro com o gume do dedo que se arrastou sobre meu peito. O coração percutia melodias minimalistas; o arrepio se erguia nas vértebras aos cheiros lentos na encosta do pescoço. Hipnotizado, respirava seu corpo, suas vestimentas fluidas que escondiam a nudez do corpo. As minhas mãos tateavam, lia os sonetos cunhados nas planícies da tua pele negra. 
Desfalecido, como deus caído, sustento o seu mundo nos meus braços, ergo a noite no firmamento e aguento as punições titânicas do seu corpo, que navega no cálice das minhas mãos. Assim, enveredo nas cordilheiras dos seus beijos, trilhando nos labirintos dos seios e perco-me num devaneio. 

Alan Felix

terça-feira, 15 de maio de 2012

Manuel

“Pois eu, eu só penso em você [...] Em ti eu consigo encontrar / Um caminho, um motivo, um lugar / Pra eu poder repousar meu amor”.
 (Los Hermanos - Fingi na Hora Rir)

(Luyse Costa)

Manuel quando se distraía com rompantes de ciúme, logo pensava na amada, nas frequências desbotada de dois corações em que repousaram o amor. O lar tornava-se construção floral de meu bem-querer, um lugar, um caminho para ambos confortarem seu amor. [...]

Alan Felix

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Maria Fernanda

“Eu que nunca amei a ninguém / Pude, então, enfim, amar..."
(Los Hermanos - A Flor)

 (Luyse Costa) 

Em toda a manhã que acorda com o silêncio fantasmagórico, Maria Fernanda, pensa – eu nunca amei a ninguém – convicta que a solidão é um mar na qual vive incessantemente a deriva. [...]

Alan Felix

terça-feira, 1 de maio de 2012

Brisa




Eu leio no balançar dos seus cabelos as canções impressas do vento.

Alan Félix

quinta-feira, 26 de abril de 2012

A Casa

Janelas entreabertas
o deserto visto de fora
as paredes verde desbotada
impressa de rouquidão silenciosa.


Nos papéis de parede
amores,
poemas
e cores...

fotografias retratada da memória
mosaica o chão talhado de sepulcro
e grades no olhar do homem moribundo.

Alan Félix

terça-feira, 24 de abril de 2012

ÍM PAR




silencia
a ânsia do corpo nu
precipita
a voracidade com os olhos
– devora em silêncio.

em prece fecunda os pátios do prazer.

sorrateiro
espuma sobre o corpo
borbulha
delirante nos mares do rochedo
– mergulha em silêncio.

alastrar-se
na fissura oculta dos beijos
ceifa
os ímpetos de desejo
– coloniza em silêncio.
 


Alan Félix

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Era dos Extremos



Engatilhando
o medo
aterrorizo
ater riso
o mundo.

Ascensão
da barbárie
polarizou
o mundo.

Guerra: quente ou fria?

Vertiginoso
o telescópio
explora
o confim
do universo.

Uno versos
na conquista
espacial
do verbo.

A engenharia
da ficção
degrada
a inspiração
a respiração.
 
Tudo
é incerto
inconstante
e inconsciente.
 
Contradição 
 
Alan Félix

sábado, 21 de abril de 2012

Vigiar e Punir

O meu amor
é censurado,
disciplinado,
controlado

amar(ras)
invisiveis
o reprime,
neutraliza,
normatiza.

O meu amor
é carcerário
do corpo

é errado,
doentio,
degenerado.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Escombro

O tempo
escava a ruína 
do corpo, 
frágil 
o homem 
torna-se poeira, 
escombro 
e entulho de vida. 

Com pedras 
nas mãos 
empilhamos torre, 
erguemos babel e 
sopramos o céu. 

Desabamos 
do firmamento 
das estrelas, 
cadentes caímos 
perdidos 
na imensidão. 

Alan Félix

terça-feira, 17 de abril de 2012

Amar-te

Eis uma runa negra, 
que delineia entre o rio estrelar 
caminhos perdidos em nossas almas 
guiando-me até lábios nascente, 
que ao toque desmancha 
meus sentimentos mais duro 
refazendo minha face a sua face 
na façanha de amar-te 

Alan Félix

sábado, 3 de março de 2012

Folia

As notas musicais
pulavam
na avenida sem fim...
A cada bloco musical
era um ritmo inusitado...
E as partituras...
Partiram dali...
(Alan Félix)

sábado, 7 de janeiro de 2012

Diagnóstico


A distância entre mim e mim é evidente. Busco refugio no silêncio do pensamento. As correntezas do dia-a-dia são mais constantes que a calmaria da tempestade que se agrava em mim.
A alma não passeia a tempo, encarcerada numa canção do lado b de minha vida. Toda sombra da felicidade e do gesto de viver é um déjà vu do passado já tão distante.
Receio as possibilidades que a vida apresenta, pois o congelamento da cena naquele instante que durará a eternidade de um sonho masoquista, incrusta todos os maus sonhos.

Alan Félix

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

A Passista


Sambo
é porque seu canto
fez morada em mim.

A saudade
despiu-se de mim
e é porta-bandeira da sua lembrança.

Alan Félix

domingo, 1 de janeiro de 2012

Sonho e Desejo


Entre o sonho
e o desejo
habita o delírio
e o lírio
que colho no jardim.

Jazem em mim todos os sonhos do mundo.

Alan Félix

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Manhã


Toda manhã na esquina dos seus olhos vejo a vontade sensível de abraçar o infinito. Insustentável conter o indomável enigma do amor. Todos os dias são resquícios do afeto que vivemos ontem. Às vezes remanesce algo indecifrável, impenetrável, inacessível para o presságio da existência.

A cada manhã, despedaça as sonolentas lembranças mal vividas, e os temores fúnebres da solidão. É difícil aliviar a noite murmurante de clausura prematura da nostalgia. Não somos educados em suportar as amargas vísceras da perda. O luto é uma sentinela intacta do cotidiano, conserva-se nas tardes de nossa vida para consolar a solidão.

Alan Félix.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Rosáceas


Rosas brancas,
Rosas negras,
Rosas indígenas.
Foi num pomar que nasceu o Brasil.

Alan Félix

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Morena


Ah! Morena,
transborda nas lágrimas a saudade
no canto dos seus olhos
eu canto, um cântico de prece
recito ao divino uma reza
acendo uma vela e velo por você.

dorme para mim as tristezas
sintoniza as frequências do coração
algum coração toca para ti,
algum coração é uma canção.

desfaz a dor na quietude das lágrimas
lava as memórias despertadas nas manhãs ensoladas
reserva a delicadeza e o voar da borboleta
é frágil as pilastras do vento que desmancha.

Alan Félix.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Vênus de Mel


Olhos cristalizado de mel.

Abelha retratista
desenhaste tão linda face,

com ferrão bronzeado do sertão,

moldando tão bela Vênus
do norte.

Qual a cor do teu pecado?

Teu pecado tem a cor
que fagulha o sol do Nordeste.

O azul cintilante da chama do mar
da ilha do amor

O mel que adoça meu viver.

Dama de olhar murmurante,
lábio entorpecente e toque embriagante.

Afrodite da cor do pecado do mel.

Olhar escarlate penetrante
como antares.

Que leve toque do teu lábio roubou
minha alma agreste.

(Alan Félix)